60+: População de idosos vai dobrar nos próximos 30 anos

Especial sobre envelhecimento vai mostrar universo de pessoas da terceira idade em Indaiatuba

Por Mariana Corrér

O Brasil já passou dos 210 milhões de habitantes e 13% deles estão acima dos 60 anos de idade. Isso corresponde a mais de 28 milhões de pessoas, de acordo com a projeção em tempo real do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse percentual tende a dobrar antes de 2060, o que muda toda a perspectiva populacional.

Melhor qualidade de vida, mais acesso à prevenção e medicina avançada são alguns dos fatores que consolidam a macrotendência de futuro do envelhecimento. Já é um fato que a população mundial está mais velha. Cada vez nasce menos gente e a expectativa de vida só cresce.

Indaiatuba, assim como o resto do mundo, também está envelhecendo. Ela segue a tendência e os percentuais do Estado de São Paulo, que é envelhecido, acima da média brasileira e mais parecido com países europeus. Os dados da cidade comprovam essa tendência, enquanto a população cresce 11% entre os jovens, entre os idosos o aumento é de 60%.

Pela maior qualidade de vida do que existe em outras regiões e o acesso mais fácil a médicos, hospitais e medicamentos, a expectativa de vida de quem vive em território paulista aumenta. Dos 46 milhões de habitantes, 15% são 60+. Em 2030, a previsão é para uma população de 48 milhões, sendo 21% de idosos, igual a 10 milhões de habitantes.

EXPECTATIVA DE VIDA

Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), é considerada idosa qualquer pessoa a partir dos 60 anos de idade.

A expectativa de vida tanto no Brasil quanto no Estado de São Paulo, vai aumentar até 2030. Hoje, a expectativa de vida dos homens é de 72,74 anos no Brasil. Para as mulheres, é de 79,8 anos; e a média é de 76,25 anos. Em 2030, a média será de 78,64 anos.

Em São Paulo, a perspectiva é ainda melhor. Hoje, é de 78,62 e, para 2030, espera-se que os paulistas passem dos 80.

Diante desses dados, comprova-se que a população está envelhecendo e não demora até que o Brasil seja, de fato um país envelhecido, com mais pessoas acima dos 60 do que abaixo dos 20.
Isso transforma o modo como se vive, interfere nas políticas públicas, nos rumos da economia e muito mais.

PREVISÕES

Com a Reforma da Previdência, já se espera que o brasileiro trabalhe até mais tarde. Agora, é preciso pelo menos 62 anos para parar de trabalhar. É mais gente no mercado, mais gente economicamente ativa e mais dinheiro girando no mercado, além de que, mudando os hábitos de consumo, afinal, cada faixa etária tem suas demandas.

Toda essa transformação também começa a impactar na visão que as pessoas têm de sua própria idade. Vários estudos acadêmicos mostram que existe uma tendência crescente de aceitação da idade, da valorização do cabelo branco e das linhas de expressão, por exemplo, e isso faz parte dos movimentos de empoderamento.

QUARTA E QUINTA IDADES?

O conceito de terceira idade surgiu com a organização da gestão da velhice, segundo o sociólogo francês Frédéric Lenoir, em 1979. O termo idoso, um pouco mais antigo, surgiu na década de 1960, quando o termo velho começou a desaparecer e a sociedade passou a assimilar a ideia de velhice associada à qualidade de vida. Surgiu, então, o termo terceira idade, que legitima a nova e positiva imagem da velhice.

Em 1963, a OMS dividiu as faixas etárias e considerou: meia idade dos 45 aos 59 anos; idosos dos 60 aos 74; anciãos dos 75 aos 90 e velhice extrema a partir dos 90 anos. No entanto, esta divisão gerou, e gera até hoje, controvérsias.

Especialistas compreendem o envelhecimento humano como um processo complexo e composto pelas diferentes idades: cronológica, biológica, psicológica e social.

Assim, com a população envelhecida e com qualidade de vida cada vez maior depois dos 60, esses termos estão defasados e não contemplam quem passou dos 60 anos, por isso criou-se uma nova nomenclatura: a quarta e quinta idades.

Pode-se dividir essas faixas, segundo os geriatras, em: terceira idade dos 60 aos 77 anos; e quarta idade dos 78 aos 105 anos. No entanto, com as mudanças e expectativa de vida maior, com base na classificação da OMS, já se fala em incluir uma quinta idade como tendência e dividir as categorias em: terceira idade dos 60 aos 74 anos; quarta idade dos 75 aos 90; e quinta idade dos 90+.

A pergunta é: o brasileiro está preparado para isso?

O Blog da Pimenta inicia agora a série de reportagens 60+, que mostrará a nova visão sobre a terceira idade no Brasil e, principalmente, em Indaiatuba. Falaremos sobre as demandas dos idosos, suas necessidades, mercado de trabalho, saúde, autoestima, vida social e qualidade de vida para quem, até pouco tempo atrás, apenas “sobrevivia” no país.

Acompanhe as próximas reportagens.