Ministério da Saúde vai facilitar tratamento contra a tuberculose

SUS ofertará nova formulação para o tratamento em crianças

Decisão publicada ontem (9), no Diário Oficial da União, tornará mais simples o tratamento de tuberculose no Brasil. Hoje, o tratamento é ofertado exclusivamente pelo SUS e, no caso do tratamento infantil, para menores de 10 anos, tem-se a combinação de três medicamentos (rifampicina 75 mg + isoniazida 50 mg + pirazinamida 150 mg) na fase intensiva da doença e dois na fase de manutenção (rifampicina 75 mg + isoniazida 50 mg). Em ambos os estágios, a criança precisa tomar medicamentos simultaneamente, ou seja, de uma só vez.

A partir de agora, com a decisão de ontem, o Ministério da Saúde tornará esse tratamento mais simples e, portanto, mais aceitável para as crianças. O SUS passará a ofertar uma dose fixa combinada dos fármacos de cada fase, que serão reunidos em um único comprimido que pode ser solúvel em água. Estudos nacionais e internacionais analisados pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (CONITEC), em 2019, apontaram a mesma eficácia para o tratamento já ofertado e a dose fixa combinada. A CONITEC é a comissão responsável por analisar a eficácia, efetividade e custo-benefício de novos medicamentos e tecnologias incorporados ao SUS.

"Hoje é um grande dia, depois de mais de 30 anos usando as mesmas apresentações de medicamento para tratamento da tuberculose em crianças, conseguimos, finalmente, aprovar no Brasil comprimidos com doses fixas combinadas. Isso tem um grande significado para famílias e principalmente para as crianças", comemorou a coordenadora do Departamento de Vigilância das Doenças de Transmissão Respiratória de Condições Crônicas do Ministério da Saúde, Denise Arakaki

Lucica Ditiu, diretora-executiva da Stop TB, parabenizou o Brasil pela iniciativa e pontuou que ainda persiste o desafio para "encontrar mais formas de diagnosticar a doença entre as crianças", cujo diagnóstico, segundo ela "é muito difícil" em todo o mundo.

 

ESTRATÉGIA GLOBAL

O Brasil vai liderar a estratégica de luta global contra a tuberculose (TB) nos próximos três anos. O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandeta, assume, ainda neste ano, a presidência do Conselho da Stop TB Partnership. A instituição, que busca eliminar a tuberculose no mundo, é vinculada a Escritório das Nações Unidades de Serviços para Projetos (UNOPS/ONU) e conta com cerca de 1.700 representantes em mais de 100 países, incluindo governos, organizações internacionais, agências de pesquisa e financiamento, além de fundações e ONGs. Para marcar a oficialização da indicação do Brasil na liderança de um movimento mundial de luta contra a doença, o Ministério da Saúde anunciou, nesta segunda-feira (9), a incorporação no Sistema Único de Saúde (SUS) dessa simplificação do tratamento infantil. 

“A tuberculose é umas das principais causas de morte em todo o mundo: em 2017, foi responsável por cerca de 1,3 milhão de mortes. Apesar desse enorme preço para a saúde, a resposta à tuberculose foi, por muito tempo, lenta e subfinanciada, principalmente na área de pesquisa e inovação. Por isso, meu compromisso é promover ações colaborativas envolvendo diferentes países para inovação no diagnóstico, tratamento e atenção a essa doença, reduzindo óbitos e os impactos na vida dos nossos cidadãos”, assegurou o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta.

A diretora-executiva da Stop TB, Lucica Ditiu, participou de reuniões com o Ministério da Saúde nesta segunda-feira (9), em Brasília (DF). A diretora está no Brasil para apresentar formalmente o conselho ao ministro, que inicia o mandato a partir de dezembro, e discutir os planos de ação para os próximos anos.

Atualmente, a presidência é exercida pelo ministro da Saúde da África do Sul, Aaron Motsoaledi, que permaneceu no posto por dois mandatos (seis anos). A apresentação da candidatura do ministro Mandetta ao cargo ocorreu durante a Assembleia Mundial da Saúde, realizada em Genebra (Suíça), em maio de 2019.