60+: Maior expectativa de vida aumenta doenças do envelhecimento e liga alerta

Prevenção é palavra-chave para quem quer qualidade de vida depois dos 60

Por Mariana Corrér

A expectativa de vida está aumentando e, cada vez mais, o Brasil tem novos centenários. Com mais idade, mais doenças com incidência na população 60+ estão sendo descobertas. A boa notícia é que também podem ser prevenidas. Algumas dessas situações serão abordadas nesta reportagem da série especial sobre o envelhecimento que o Blog da Pimenta vem publicando.

Estudos realizados nos Estados Unidos mostram que cerca de 80% das pessoas com mais de 65 anos têm pelo menos uma doença crônica, enquanto 68% têm duas ou mais. Entre as mais comuns estão doenças cardíacas, pulmonares, derrame, câncer e diabetes.

A geriatra Vanessa Ribeiro Gubel é especialista em longevidade e Síndrome de Fragilidade, e alerta: a prevenção para esses problemas começa com 28 anos.

Essa seria a idade ideal para que todo mundo começasse a procurar um geriatra e se planejar para quando for mais velho. No entanto, na prática, quase ninguém tem essa visão. Por outro lado, a consciência sobre prevenção e qualidade de vida vem aumentando e pacientes acima dos 40 ou 50 anos já procuram um especialista.

Isso é primordial para quem quer envelhecer com conforto e bem-estar. “E esse percurso envolve muitos fatores”, diz Vanessa. “A pessoa, quando chega a uma certa idade, se vê privada de suas atividades diárias, não trabalha mais, não consegue fazer coisas básicas como sair de casa sozinha, comer, atender um telefone ou até mesmo se vestir sem ajuda”, prossegue. “Isso mexe com a autoestima de qualquer um e interfere não só na saúde física, mas também na mental”.

Para chegar aos 100 anos com qualidade, o primeiro passo é focar em um estilo de vida diferente, com tratamentos não-medicamentosos, pensando em uma rotina que privilegie a saúde. “É claro que, depois dos 80, 90 anos, todos devem ter privilégios com alimentação, assim como têm em mobilidade etc., mas de maneira geral, uma dieta balanceada, exercícios físicos e atividades de distração e interação social são a base para evitar doenças no futuro”, garante a geriatra.

Os relacionamentos interpessoais, aliás, são uma das principais bases nesse processo. “Principalmente depois da aposentadoria, os idosos tendem a se isolar, por isso precisam de programas com gente da mesma idade, precisam exercitar suas amizades e sua fé, caso tenham alguma religião, isso é extremamente benéfico a eles”, reforça Vanessa. “Isso porque essa é a idade das perdas, muitos amigos e familiares estão morrendo, às vezes, até os próprios filhos já morreram, e é necessário que eles estejam psico e espiritualmente amparados”.

TENDÊNCIAS DE FUTURO

A expectativa de vida elevada leva a doenças até então não muito comuns e ainda sem muita explicação, como o Alzheimer, fragilidade, diabetes, hipertensão e problemas dermatológicos. Quanto mais pessoas dentro dessa faixa etária acima dos 60, maior a incidência de problemas gerados pelo envelhecimento do corpo. Mais uma vez: prevenção é o melhor remédio.

Dentro desse grupo estão os quadros conhecidos como Gigantes da Geriatria: instabilidade, incontinência, iatrogenia (efeitos de medicamentos), imobilidade e insuficiência. Muitos não podem ser evitados, mas podem ser retardados.

No caso dos problemas de visão, por exemplo, a Organização Mundial de Saúde (OMS) acredita que 80% de todas as deficiências visuais podem ser evitadas ou curadas. Isso depende, em grande parte, de controlar diabetes e hipertensão. Já essas doenças dependem de uma combinação de dieta, exercícios físicos e alguns medicamentos para que não saiam do controle.

NUNCA É TARDE

Vanessa lembra que, quanto antes, melhor. Mas nunca é tarde para começar. “A maioria dos meus pacientes chega ao consultório quando já passou dos 70 anos e tem algum problema de saúde, mas, mesmo assim, a primeira indicação é que eles se movimentem”, revela. “Andar dentro de casa, eliminando, antes, os riscos de queda, que é perigosíssima para eles, caminhar no bairro, fazer atividades domésticas já são benéficas, e mesmo quem está na cadeira de rodas ou acamado pode se mexer, fazendo alongamentos ou exercícios com os braços”, completa a médica.

Há estudos atuais que comprovam a ligação de atividades físicas com o combate ao Alzheimer. “Além de prevenir infarto e AVCs, como já é sabido, exercícios ajudam na prevenção do Alzheimer graças à necessidade de raciocínio e também de substâncias liberadas durante a prática, isso independente da idade”, explica a geriatra.

Em resumo, mesmo quem já tem alguma limitação física ou alguma demência pode e deve se exercitar e cuidar da dieta. “De 7 a 10 dias é o tempo suficiente para que um hábito se incorpore à vida de qualquer pessoa, então é preciso ser persistente e buscar sempre um especialista que dê boas orientações”, conclui Vanessa.