A 13 dias da estreia na Copa, torcida não se empolga com Seleção

Greve dos caminhoneiros, crises política e econômica e 7 a 1 desanimam torcedores

Por Mariana Corrér

 

Não está fácil para o grupo do Tite. A 11 dias do começo da Copa do Mundo da Rússia e a 13 dias da estreia da Seleção Brasileira no torneio, a tradicional torcida canarinha parece estar desanimada com a principal competição do futebol mundial.

O brasileiro é conhecido como o povo mais fanático por futebol e por sua seleção em todo o mundo, mas, 2018 está diferente. Seja por causa do 7 a 1 ou das seguidas crises que o Brasil tem enfrentado, o fanatismo ainda não reapareceu.

Sem qualquer otimismo para a Copa, o comércio está fraco, sem qualquer decoração tipicamente verde e amarela, os carros não ostentam bandeiras, o manto da seleção não tem desfilado e as ruas não receberam qualquer pintura, como sempre aconteceu.

Nem mesmo o amistoso de ontem (3/6), no qual o Brasil venceu a Croácia por 2 a 0, foi suficiente para empolgar a torcida.

O próximo amistoso será contra a Áustria, no próximo domingo (10/6). Até lá, é possível que o torcedor esteja mais animado, já dentro do ritmo do mundial. Mas, por enquanto, não é assim que o brasileiro tem se mostrado.

A situação não é diferente em Indaiatuba. O comércio ainda não vende acessórios, não usa decoração com as cores da nossa bandeira, nenhuma casa adotou a temática e até as ruas enfeitadas ainda não apareceram.

Nas ruas

A reportagem do Leitor Online/Blog da Pimenta percorreu as ruas da cidade e confirmou essa condição. O trajeto incluiu toda região central e bairros tradicionalmente torcedores, como todo o Jardim Morada do Sol, Jardim dos Colibris I e II, Jardim Paulista I e II, Jardim Paulistano, Jardim João Pioli, Jardim São Conrado, Jardim Hubert, Cecap, Jardim Juscelino Kubitschek, Jardim Tancredo Neves e Santa Cruz. Nenhuma rua está pintada ou enfeitada.

O número de estabelecimentos com bexigas ou bandeirinhas não chega a dez. Apenas dois carros com bandeiras foram flagrados.

O desânimo foi confirmado também em conversa com a população. O vexame na Copa do Brasil, em 2014, a greve dos caminhoneiros, a Operação Lava Jato, a festa da corrupção e os recorrentes escândalos políticos são as principais causas.

“Eu realmente amo futebol e adoro a Copa, estou torcendo muito pelo Brasil, quero que a gente consiga o hexa, mas não dá coragem de demonstrar muito otimismo”, confessa o comerciante Marco da Cruz. Essa é a mesma opinião do estudante Fernando da Lima Souza. “Eu me sinto até mal em mostrar que estou empolgado com futebol, enquanto vejo o caos que o país está. Fico com vergonha”, revela.

A dona de casa Daniela Cruz e Silva vive um dilema ainda maior. “Eu perdi a vontade de ver a seleção depois do 7 a 1, meu marido ficou muito bravo, mas tenho dois filhos pequenos e não acho justo privar os dois desse clima de Copa”, conta. “Então, acabei comprando uma corneta e um chapéu para cada, que nem foi tão fácil de encontrar, mas pelo menos é um jeito deles curtirem”, acrescenta.

Mais preocupado com a situação real do país, o aposentado Antônio Marcos Soares, fica só com a vergonha. “Usei muito minha camisa da seleção nos protestos em prol de um Brasil melhor, mas não conseguimos nada de bom para a população, só mais corrupção e mais impostos chegando no nosso bolso, então dá vergonha vestir a mesma camisa para torcer por uma coisa fútil como o futebol”, opina. “Eu gosto de futebol, torço muito para a gente trazer esse título, mas não vai ser uma prioridade para mim neste ano”.

A seleção

Após os dois amistosos que fecham a preparação da equipe, o Brasil estreia na Copa no primeiro domingo da competição: dia 17 de junho, contra a Suíça. A partida será às 15h, horário de Brasília, na Arena Rostov, em Rostov. O segundo jogo será contra a Costa Rica, às 9h do dia 22, uma sexta-feira, e o terceiro acontece no dia 27, às 15h, contra a Sérvia.