60+: Caminho do envelhecimento saudável começa na atividade física

Exercícios previnem doenças e devolvem autonomia e autoestima dos idosos

Por Mariana Corrér

Resumo da vida saudável: atividade física. Apenas com o corpo em movimento é que se garante uma saúde melhor e maior longevidade. A série de reportagens especiais sobre envelhecimento reforça, agora, a necessidade de se praticar exercícios.

Para começar, é importante lembrar que atividades físicas e exercícios não são a mesma coisa. O exercício é algo programado e com um objetivo, como o de reabilitação ou emagrecimento, por exemplo. Atividade física é tudo o que exige movimentação do corpo no dia a dia, como ir ao mercado caminhando, varrer o chão, lavar louças etc.

Independente da idade ou das condições físicas de cada indivíduo, atividade física é obrigatória. Já os exercícios são o diferencial para quem busca maior qualidade de vida, seja qual for o momento da vida.

Quem quiser envelhecer com saúde deve começar o quanto antes a praticar algum esporte ou incorporar os exercícios na rotina, porém, sempre há tempo. O profissional de Educação Física, Leonardo Hawerroth, é sócio de uma academia especializada em alunos acima dos 40 anos. Lá, além de atender aos idosos, trabalha a prevenção com aqueles já estão a caminho da melhor idade.

Segundo ele, a consciência sobre o próprio corpo e o futuro está aumentando e isso já se reflete em sua academia: 50% dos alunos buscam prevenir e 50% precisam remediar algum problema já existente. “Muitos chegam com dores ou algumas limitações por conta da idade, de doenças ou de quedas, o que é muito comum com esse público”, revela. “O importante é um profissional para acompanhamento, desde o início, para encontrar uma atividade adequada para cada necessidade e cada objetivo”.

Para quem tem medo ou preguiça, fica mais uma dica: não existe uma atividade melhor do que a outra. Cada um pode escolher aquilo que mais lhe agrade, o que faz ter vontade de sair de casa para se dedicar. A ressalva é apenas que tenha orientação médica para saber se há alguma limitação ou algum cuidado especial a ser seguido. “Cada modalidade atinge um público pelo gosto, prazer e pelas necessidades físicas de cada pessoa em cada momento”, lembra William Martinazzo, professor da academia do público 40+, que trabalha com pilates e musculação. “Dependendo do histórico de cada indivíduo, é preciso um preparo com musculação, que vai ajudar na recuperação de uma lesão ou reforçando uma musculatura específica depois de uma queda, e vai permitir fazer outras coisas em um período menor de tempo”, indica. “E o pilates é um exercício completo, individualizado, que trata exatamente o que é preciso”.

CARACTERÍSTICAS

Exercícios de baixo ou zero impacto, como pilates e hidroginástica são ótimos para essa faixa etária. A caminhada, para quem gosta, também é uma excelente opção, principalmente para o sistema cardiorrespiratório. Já a musculação pode preparar o corpo para outras atividades, além de ajudar a diminuir dores e servir, em muitos casos, como complemento a fisioterapia e outros tratamentos. “Ressaltando que qualquer um deles deve ser muito bem supervisionado por um profissional”, aponta Hawerroth.

A indicação é reforçada pelas características do corpo idoso. “No processo de envelhecimento, estamos sujeitos a perder massa magra em um processo chamado sarcopenia, que tira também o equilíbrio, força e, consequentemente, a liberdade para realizar atividades diárias”, explica. “Com os exercícios periódicos, conseguimos retardar esse processo ou até reverter quadros de perda de massa magra e óssea”, acrescenta, lembrando que isso não acontece do dia para a noite.

Essa perda de massa magra apenas aumenta com idade. A partir dos 30 ou 40 anos, dependendo da pessoa, já se perde de 1% a 1,5% de massa magra ao ano. Depois dos 60, esse número salta para 3% a 4% ao ano. “A única forma de se reverter isso que conhecemos hoje é a atividade e exercício físico”, avisa Hawerroth.

Para minimizar a sarcopenia, é preciso começar o quanto antes e tentar criar uma rotina de exercícios de, pelo menos, duas vezes na semana, e atividades físicas diárias. “Dessa forma, além de dores físicas, de quedas e lesões, também se evita problemas neurológicos e até demências [como já vimos em outra reportagem da série]”, afirma o professor. “O Alzheimer é conhecido por destruir conexões neurais, mas o exercício como o pilates, em que cada dia se faz um treino diferente, exige atenção, memória, cria novas conexões neurais que previnem o Alzheimer”, adiciona.

Os exercícios também liberam endorfina no sangue, o tal hormônio do prazer. “Isso relaxa, dá sensação de dever cumprido, de desafio ganho, aumentando a autoestima e dando mais felicidade”, reforça o sócio da academia. “Além do prazer e da retomada de autonomia ao conseguir voltar a fazer o básico do dia a dia, como pegar um pote de açúcar no armário, amarrar os sapatos sem ajuda e muito mais”.

EXPERIÊNCIA PRÓPRIA

A aula de pilates de Hawerroth tinha dois exemplos que devem ser seguidos: o da prevenção e o da persistência. Senira Silva, a Lora, tem 48 anos e está há cinco fazendo as aulas. Neide Ducati Silva está com 80 anos e encontrou o pilates por recomendação médica.

A primeira, com hérnia de disco, encontrou na atividade um meio de quase extinguir as dores. Pensando no futuro, já se trabalha para evitar novos problemas de saúde e dores que possam lhe atrapalhar no dia a dia. Dona Neide eliminou os remédios e viu sua vida voltar ao normal ao seguir religiosamente as instruções de seu médico e dos professores.

“Parece que tem um feitiço aqui: eu preciso voltar”, brinca Lora. “Se perco uma aula, já sinto falta e meu corpo precisa voltar. Eu me encontrei no pilates”, declara.

Ela vai apenas duas vezes por semana para a academia – o mínimo indicado pelos profissionais. Neide também. Para elas, é o suficiente. Além de fortalecer o corpo, reforçaram a saúde, autoestima e relações sociais. “A gente vem aqui, conhece mais gente, conversa, dá risada, faz amizade e ainda sai sem dor, outra pessoa”, conta Neide. “Eu melhorei 100% desde que comecei”, finaliza.